O canto do pensamento. Será que, realmente, funciona?

Você sabia que existem milhares de outras maneiras de se conectar com os seus filhos?

Enviá-los para o “canto do pensamento” não faz parte de nenhuma delas.

Hoje em dia a ideia de chineladas, cintadas, reguadas, e tantas outras “adas” é visto como uma forma de violência contra a criança. Já outros, ainda defendem por acreditar ser um “mal” necessário. Mas, como explicar para nossos filhos o amor e a violência caminhando juntos? Foi então, que uma outra estratégia surgiu: o canto do pensamento.

Será que, realmente, funciona? Na maioria dos casos, a experiência dessa prática é, principalmente, o isolamento da criança. Mesmo quando apresentada de forma paciente e amorosa, essa atitude ensina que, quando os filhos cometerem um erro, ou quando tiverem dificuldades, serão privados do convívio com outras pessoas, ou seja, entendem que neste momento de sofrimento emocional, precisam sofrer sozinhos.

Bom, já falamos de um cérebro imaturo, de falta de repertório de gerenciamento de emoções. O que exatamente esperamos desse tal “canto do pensamento”?

Acaba que esse método é uma punição, em que se utiliza uma outra forma de violência: a psicológica. Portanto, os resultados passam a ser o mesmo que qualquer outra punição, inclusive a física.

E agora? Como educar os filhos? Primeiro, precisamos entender que as crianças têm uma profunda necessidade de conexão. Pesquisas demonstram que, em momentos de angústia, precisamos estar perto e ser apaziguados pelas pessoas que cuidam de nós.

Quando as crianças estão sobrecarregadas emocionalmente, às vezes, se comportam mal. A expressão de uma necessidade ou de um grande sentimento pode resultar em um comportamento agressivo, desrespeitoso ou não cooperativo. O que é, simplesmente, a prova de que as crianças ainda não desenvolveram certas habilidades de autorregulação. O mau comportamento é, muitas vezes, um grito de ajuda para se acalmar e uma tentativa de conexão.

Além disso, o isolamento, geralmente, é ineficaz na realização dos objetivos da disciplina, ou seja, mudar o comportamento e desenvolver as habilidades. Os pais podem pensar que o “cantinho do pensamento” ajuda as crianças a se acalmarem e refletirem a respeito do seu comportamento. Mas, quando as crianças se concentram no sentimento de injustiça e, até mesmo, de raiva, que estão sentindo, elas perdem a oportunidade de desenvolver habilidades de compreensão, empatia e resolução de problema.