Mulheres Positivas: Juliana Amorina

Nossa mulher positiva é Juliana Amorina, mãe do João, fonoaudióloga, mestre em Saúde da Comunicação Humana e diretora-presidente do Instituto ABCD. Juliana nos conta um pouco de sua carreira focada em educação, além de desafios e obstáculos vencidos neste trajeto.


1. Como começou a sua carreira?

Eu fiz ensino médio na área de tecnologia e, assim que finalizei o 3º ano do ensino médio, tinha certeza de que meu futuro seria com pessoas, e não com computadores.

Escolhi a área de Fonoaudiologia e, durante a graduação, tive a oportunidade de estagiar em um local que atendia crianças que não conseguiam aprender, o que me despertou um grande interesse por essa área.


Logo que me formei, fui convidada para participar de um projeto desenvolvido em uma organização social que atendia crianças com queixas de dificuldades de aprendizagem. Fiz avaliações e intervenções fonoaudiológicas e, com o tempo, passei a atuar no acolhimento inicial da família e na devolutiva após o diagnóstico. Esse foi um momento muito importante para minha carreira: conhecer as expectativas das famílias e todas as incertezas relacionadas ao prognóstico foi fundamental. O sucesso escolar é fator determinante para uma vida plena! As dificuldades de aprendizagem têm um custo emocional elevado para as crianças e seus familiares. É um problema complexo, que precisa ser visto com seriedade e respeito.


Ao longo dos anos, trabalhei com formação de professores, preparando conteúdo e facilitando encontros. Conheci educadores de diferentes regiões do Brasil, e foi extremamente importante estar nas escolas para compreender as necessidades dos estudantes e o esforço dos professores para auxiliar aqueles que não aprendem.


Em 2016, passei a atuar na coordenação técnica do Instituto ABCD, planejando e executando suas ações educacionais e monitorando os projetos que a entidade apoia.


Minha formação e minha experiência me prepararam para toda a parte técnica que executo hoje, mas não para as áreas de administração e gestão. Tem sido um desafio e um grande aprendizado.


2. Como é formatado o modelo de negócios do Instituto ABCD?

O Instituto ABCD é uma organização social sem fins lucrativos cuja missão é garantir que pessoas com dislexia e dificuldades de aprendizado tenham acesso a informações e ferramentas para desenvolver as competências acadêmicas, sociais e emocionais necessárias para prosperar na escola, no trabalho e na vida.

Trabalhamos com programas e projetos estruturados que contam com o apoio financeiro de outras organizações.

Todos os anos, desenvolvemos e apresentamos um planejamento estratégico para os nossos sponsors, que avaliam a proposta e definem quais serão as frentes apoiadas. Para programas de longo prazo, definimos objetivos anuais, e o aporte financeiro de cada etapa fica vinculado aos resultados alcançados no período.

Atualmente, investimos na ampliação da entrada de recursos por meio de parcerias estratégicas e do desenvolvimento de tecnologia, para que o usuário especialista na aprendizagem (educador, psicopedagogo, instituição de ensino etc.) invista em nossa plataforma de aprendizagem, ajudando a manter a educação gratuita para crianças com dificuldades de aprendizagem.



3. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?

Assumir a presidência do Instituto ABCD foi bastante desafiador. A governança da instituição precisava ser reestruturada para ganhar mais dinamismo. Além disso, existia a necessidade de ampliar o alcance dos programas, ao mesmo tempo diminuindo os gastos e garantindo qualidade no impacto social. Modificamos a equipe e incorporamos novos saberes. Foi preciso ter muita flexibilidade e abertura para o novo.


4. Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora?

Procuro manter uma rotina que me proporcione foco na atividade que eu estiver realizando, seja pessoal, seja profissional. Com a quarentena, precisei ter mais disciplina para manter essa rotina.

Acho importante também falar que flexibilidade é tudo, principalmente para as empreendedoras que são mães, pois imprevistos sempre acontecem e temos que estar preparadas.


5. Qual seu maior sonho?

Contribuir para o desenvolvimento de ferramentas e práticas inclusivas que de fato auxiliem crianças a vencer as barreiras no processo de desenvolvimento e aprendizagem.

Por sorte, minhas aspirações pessoais foram ao encontro das profissionais. Eu quero que o mundo seja um lugar mais acolhedor para meu filho. Acredito que a mudança na educação permitirá que as diferenças sejam vistas como o que nos faz iguais enquanto seres humanos.


6. Qual sua maior conquista?

Ter participado do desenvolvimento de uma tecnologia que permitiu que os alunos brasileiros consigam continuar aprendendo em meio à pandemia. Durante a concepção do EduEdu, não imaginávamos que ele teria tamanha importância após apenas quatro meses de seu lançamento. Temos recebido inúmeros feedbacks de familiares dizendo que suas crianças foram alfabetizadas em casa com ajuda do aplicativo. Considerando as desigualdades de nosso país, isso mostrou que a missão do Instituto ABCD tem sido alcançada! Impactar a vida das pessoas por meio da educação é muito gratificante.


7. Livro, filme e mulher que admira.

Livro: Extraordinário, de R. J. Palacio (Intrínseca)

Filme: Escritores da liberdade (2007)

Mulher: A médica psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999)